Apenas uma resposta...

Apenas uma resposta...

(Janeiro/2006)

 

Com tanta desigualdade social sempre soube que as oportunidades são restritas e que só alguns são escolhidos, mas nunca imaginei que receberia uma carta me avisando sobre isso.

 

Gostaria de ser bem recebido em milhares de estabelecimentos não porque sou um escolhido, e sim porque sou um cidadão merecedor de atenção e respeito como qualquer outro cidadão.

 

Vocês acreditam realmente que um pedaço de plástico é o que me dá a certeza de ter chegado a onde queria e de alcançar tudo o que desejo  ?  Por favor, não me desvalorizem tanto...  Aliás, não cheguei a lugar algum, até porque não tenho esta pretensão, acho muito mais interessante a viagem do que o destino.

 

Quanto aos meus desejos ?  Espero sim alcança-los.   Um deles é que todas as pessoas sejam especiais pelo que são e não pelo que possuem.

 

Agradeço o convite, mas não quero fazer parte deste seleto grupo.   Prefiro continuar onde estou, sem o brilho do ouro mas com a riqueza da simplicidade e com a confiança que um dia cartas como essa que enviaram não terão o menor sentido.

 

Cordialmente,

 

Luis Anjos

Cliente Direto

 

P.S.  Agradeço também pela opção de ser  “International”

Um conto...

Olá amigos,

Gostaria de anexar um conto, mas acho que não tenho como fazer isso no blog, por isso vou trancreve-lo abaixo !  Nada mais do que lembranças de uma infância feliz...

Nostalgia

 

Faltavam vinte minutos para o fim do almoço e me recusava a voltar para o escritório, pois lá sempre tem alguém para dizer: sei que está na hora do almoço, mas pode me dá uma ajudinha?

Resolvi caminhar a esmo, para dizer a verdade não tão sem destino, buscando alguma loja onde pudesse comprar um doce “das antigas”: Maria mole, doce-de-abóbora, pé-de-moleque, geléia no copinho com a colher de madeira que sempre quebrava e me obrigava a devorar o doce levando o copinho (que era comestível mesmo não sabendo do que era feito), direto a boca.

Uma esquina à direita, outra à esquerda, uma quadra à frente, mais uma esquina a esquerda e o mais próximo que cheguei foi a uma loja de chocolates, tivesse lá um guardachuvinha de chocolate ao leite, muito ao leite diga-se de passagem, até me agradaria.

Voltando para o escritório, resolvi cortar caminha por uma viela e foi então que a vi: girando dentro da pequena loja, nas mãos do balconista, em um autêntico baleiro.

Meus olhos brilhavam como na época que meu pai me levava com ele ao bar e enquanto tomava um “trem” (mel com conhaque) comprava balas Juquinha para me distrair.

E era um bom passatempo, desembrulhava a bala e um papel bem fininho a protegia. Puxa dali, puxa daqui e acabava levando-a a boca com vestígios do papel que não desgrudava.

Estava ali, a poucos passos, a “máquina do tempo” que levaria a infância.

Sem meu pai por perto para fazer o pedido, chamei o balconista e disse: Por favor, um real de balas juquinhas.

Ele rodou o baleiro setecentos e vinte graus até encontrá-la e me deu dez balas contadas uma a uma. Na época de garoto, o balconista mandava eu enfiar a mão e pegar de uma vez todas que pudesse... Não eram muitas, fosse agora e ele ia ver só!

Peguei uma bala e prendi uma das franjas entre os dedos polegar e indicador da mão esquerda e a outra franja nos mesmos dedos da mão direita e vagarosamente torci ambas em sentido contrário, desembrulhando-a. Foi então que minha desobediência em tentar romper os conceitos do espaço x tempo e voltar ao passado, pôs fim em todo o universo.

As balas agora tinham uma proteção de plástico que facilmente se desprendia. Tentei recuperar meu dinheiro, mas o balconista não aceitava devolução.

Sobre o Tempo...

No primeiro dia do ano escrevo sobre tempo...  O Tempo que ajudou na organização de sociedade, também nos tornou escravos !  Tempo é um conceito relativo, quem dúvida pergunte a um casal de namorados que estão juntos o que são cinco minutos para eles e faça a mesma pergunta para quem está sob um sol de 40° ! Relatividade...  Física, eu amo a Física !  Desejo a todos um ano de realizações !

Sobre o Tempo

Luis Anjos (original: 20 de março de 1998)

 

Os dias não mas transcorrem, correm !

Apressados , nos consomem.

 

Não nos deixam tempo para amar,

brincar ou se quer sonhar...

 

Será que o tempo ficou mais curto,

Ou nós não sabemos mas aproveita-lo ?

 

Nos perdemos em preocupações,

Que acabam com a beleza da vida.

 

Viramos prisioneiros do tempo,

Não mas sentimos a vida

Apenas contamos os dias.

 

Quero observar o vôo do Beija-Flor,

O desabrochar da Flor,

As ondas quebrando nas pedras,

As nuvens formando figuras

Pinceladas pelo vento.

 

Quero meu espaço,

A presença dos meus amigos,

Do meu amor...

 

Vamos quebrar os relógios,

Llibertar-se do vicio

De contar os minutos

Que podemos ser felizes

Para viver feliz cada minuto.

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