Uma História de Elevador

Uma história de Elevador

                    Por Luis dos Anjos

 

É

 um novo dia e sem reclamar ele se prepara para trabalhar. Silenciosamente começa a descer os trinta andares do prédio onde vive desde que nasceu.

 

Quando chega ao 28º  andar recebe a companhia de dois estudantes e ouve as lamúrias dos meninos com a mãe ao se despedirem. Ele vê essa cena se repetir de segunda a sexta, mas sabe que no sábado é a mãe que reclama por acordar cedo para levá-los ao clube de natação.

 

Já no 25º aguarda tranqüilamente o ancião. É dia de pagamento, pois nos últimos cinco anos, desde que se aposentou, ele só levanta naquele horário para enfrentar a fila do banco. Pacientemente ouve as queixas sobre o desrespeito com os idosos e as condições que são submetidos.

 

Firme, nosso amigo prossegue...

 

Hoje o executivo que mora no 20º não veio, será que perdeu o horário pela primeira vez em vinte anos de trabalho?

 

Mais abaixo, no 18º andar entram duas amigas de infância que sempre contam as novidades do prédio.

 

Ele fica sabendo que o morador do 20º teve uma crise de pressão alta e foi internado. E que na festa de casamento da filha da moradora do 16º só teve bolo e guaraná.

 

No 15º chega alguém com pressa reclamando que vai perder o vôo... Sempre tem alguém atrasado e são sempre as mesmas pessoas. Deveriam acordar mais cedo ou não usar relógios para não se preocuparem tanto!

 

O síndico mora no 10° andar e quando acorda cedo é porque algo não vai bem no prédio e ele precisa tomar alguma providência antes de sair para o escritório. No prédio só o síndico houve tantas reclamações quanto ele.

 

A viagem está chegando ao fim, mas ainda tem espaço para o casal e seu filho de colo.

 

Ele os conhece desde o tempo em que eram namorados e ficavam viajando de um extremo ao outro do prédio quando queriam beijos mais ardentes...

 

Discreto, mantém sigilo desse e de muitos outros segredos. Ao longo dos anos testemunhou brigas e reconciliações, desilusões amorosas e paixões ardentes. Sorrisos e lágrimas.

 

E quem, se não ele, tem disposição depois de um dia exaustivo de trabalho ir ao encontro dos jovens que chegam alegres das festas as duas da manhã?

 

Muitas vezes passa desapercebido por aqueles mais distraídos, porém quando está ausente todos sentem sua falta e chamam por ele.

 

Só que hoje ele amanheceu mais triste, pois ouviu dizer que iriam substituí-lo, que não era mais belo e nem preciso em seu trabalho.

 

Será que também ele estava sendo vítima da beleza globalizada, que padroniza, massifica e descarta sem perceber que a beleza está justamente na individualidade e na diferença?

 

Sim, ele reconhecia suas limitações e que andava descuidado mas lhe bastava encontrar uma fada madrinha, que dando novas roupas e uma carruagem transformou em princesa o que antes era uma plebéia.

 

Ele não encontrou uma fada, mas alguém que acreditava nele, que lhe deu um novo visual sem tirar seu charme, renovou sua tecnologia sem descaracteriza-lo, lhe deu nova força para continuar sua trajetória.

 

Renovado, continuará seu caminho vertical e com destino certo, mesmo que estes sejam muitos e mudem a cada instante...

 

Sem pressa

Este foi o único poema que coloquei no Bar do escritor que parece ter agradado ! 

Sem pressa

Todos os dias,
len-ta-men-te,
caminhamos em direção a morte.

Como a areia que escorre na ampulheta,
dis-cre-ta-men-te,
Lançamos nossa vida a própria sorte.

E cedo ou tarde,
Sor-ra-tei-ra-men-te,
na nossa história é feito um corte.

A um passo do paraíso (talvez eu fique por lá)

Voltei...   Vez ou outra venho tirar a poeira do meu blog.

Trago uma cronica recente, um pouco diferente do que escrevo normalmente mas que particularmente gostei...  Espero que gostem também !

A um passo do paraíso (talvez eu fique por lá)

Quando nada mais nobre vem a minha mente para servir de inspiração, transpiro e decido render meu tributo àquele que só lembramos quando estamos na merda, ou a um passo dela!

 

Sim, meus senhores e senhoras, é do vaso sanitário que lhes falo agora.

 

Não torçam seus narizes se o tema não lhes cheira bem, mas cabe lembrar aos senhores alguns fatos que, com certeza, os farão mudar de opinião.

 

Não há em nossa casa lugar mais tranqüilo para ler o jornal de domingo ou folhear velhas revistas abandonadas, lendo matérias deixadas para traz como a do excitante ciclo de acasalamento do gafanhoto.

 

Também é neste momento a oportunidade de ler o rótulo do seu condicionador e descobrir que contém cloreto de cetil trimetil amônio.  Informação de extrema relevância para futuras escolhas de cosméticos.

 

Para quem gosta, também é a oportunidade de escrever, seja a lista de compras, uma carta de amor ou até mesmo uma crônica como esta.

 

Todavia, é no momento de desespero total que nos damos conta de como ele, o vaso sanitário, é importante em nossas vidas.

 

Quando estamos na rua, batendo de porta em porta a procura de abrigo, e ao ser acolhido entramos no banheiro e nos deparamos com aquela peça branca de louça a nossa espera (pois os dos bares e restaurantes da vida são sempre brancos) temos a materialização da expressão "visão do paraíso".

 

Espero que se sintam tão aliviados quanto eu me senti ao reconhecer a importância de tão brilhante invenção e vejam, de hoje em diante, o vaso sanitário com outros olhos.

 

 

 

Bar do Escritor

Amigos,

Entrei para uma comunidade no Orkut chamada, "Bar do Escritor". (Entrem tmbém !)

As pessoas são maravilhosas e alem de publicar seus poemas, contos, etc  Também leêm o seu e fazem suas criticas, observações e elogios... mas vc corre o risco de levar tomates quando não apreciam.

Em homenagem a estes novos amigos escrevi os singelos versos:

Tomates I

Tantos tomates me atiraram
Que deles fiz um suco
E com ele faço um brinde
Aos amigos que conheci
No bar dos escritores

Tomates II

Alguém te deu um limão,
Faça uma limonada.

Atiraram uma pedra,
É a primeira da escada.

Arremessaram  tomates...

Façam um bom molho
Pois entre amigos
Tudo acaba em macarronada.

 

Correr para não correr

Oi, venho aqui vez o outra... sei que demoro a atulizar meu blog.   Faz tempo também que não escrevo algo novo... Isso exige uma serenidade que no momento não tenho.   Espero que gostem deste texto, que escrevi no mesmo dia do anterior ! 

 

Correr para não correr

Quando era criança fazia justiça a expressão "andar correndo", eu corria até a padaria para

comprar o pão e o leite do café da manhã, corria até o mercado, corria para ir na casa dos

meus amigos... 

As vezes eu tentava simplesmente caminhar, mas bastava me distrair e lá estava eu correndo

!

Como a maioria das crianças corria atrás da bola, corria atrás da pipa.

Corria p´rá me esconder no pique-esconde, corria p'ra pegar no pique-tá.

Na brincadeira de taco corria atrás da bolinha de borracha ou botava alguém para correr

quando acertava uma bela tacada.

Até jogando bola de gude corria, bastava alguém gritar:  Olha o Rapa !

Dia das crianças e de São Cosme e Damião lá estava eu correndo, desta vez atrás de doce.

Corria da escola para casa, pros braços dos meus pais.

Corria da chuva e até de cachorro eu corria !

As crianças de hoje continuam correndo...

Correm da policia, correm do bandido.

Correm p'ra se esconder dentro de casa e para fora da casa fugindo do alagamento,

desmonoramento  e da seca.

Correm da fome !

Correm p'ra não apanhar, correm p´ra  bater. Para formar o arrastão ou para não serem

arrastadas.

Correm de um lado para o outro, correm para sobreviver.

Agora corro novamente, na direção contrária... na contramão da sociedade que simplesmente

ignora o que é, muitas vezes, a última corrida destas crianças.

Preciso correr, antes que seja tarde demais.

A vida no meio fio

Estou de volta !

A Vida No Meio Fio

Passando pela calçada de um hospital observo uma chupeta junto ao meio fio, e o que existe de extraordinário nisso ?  Perguntariam-me os "simplistas".

Os "ecônomicos" lamentariam o prejuizo com a perda da chupeta pela criança.

Os "perfccionistas" criticariam a mãe  por não te-la prendido a roupa através de uma cordinha.

Passariam por cima, sem se importar, os "desatentos".

Os "ecológicos" discutiriam o tempo que aquela chupeta , de borracha e plastico, levaria para se decompor na natureza.

Já os "politizados" culpariam o prefeito pelo acumulo de sugeira na cidade.

A lixeira seria o destino certo, se quem a tivesse encontrado fosse um "politicamente-correto"

Eu, ao ver a chupeta, imaginava apenas a expressão de choro de quem a tinha em sua boca em um momento e no seguinte viu desprender-se e ir ao chão, ficando para trás em sua vida, que apesar da tristeza e da saudade, seguiu adiante como determina nossa natureza.

Final !

Para quem acompanhou os ultimos posts, chegamos ao final da história,que foi uma inspiração livre sobre a música "Arcos" do Biquini Cavadão !

 

- E é este convite que te faço novamente, vamos atravessar a rua e transpor o portão de ferro que dividi a nossa história no antes e no agora.

- Naquela noite, no Passeio, só tínhamos nós e uma dúzia de bustos a nos observar. Como agora, caminhávamos de mãos dadas sem muita pressa, sem ter aonde chegar.

- Foi então que no meio do caminho você disse que me levaria em um lugar encantado.

- Cruzamos esta pequena ponte até chegar a Fonte dos Amores...

- Você pegou duas moedas, segurando minha mão direita colocou uma das moedas na palma, dobrou meus dedos sobre ela e disse: Esta é uma fonte encantada, faça um pedido e atire a moeda em sua água que em pouco tempo o mesmo se tornará realidade.

- Então, peguei a moeda como estou fazendo agora e atirei em direção a fonte, logo em seguida você fez o mesmo ritual.

- Contrariando a lenda que reza que devemos manter sigilo sobre o pedido sob o risco de quebrar o encanto, você me perguntou o que havia desejado.

- E você respondeu: “Que o seu desejo se realize”, então imediatamente lhe pedi um beijo, pois foi meu desejo ser beijada aquela noite pela pessoa que me beijaria no decorrer dos anos que viriam.

- E desta vez, qual foi o seu pedido?

- Que o encanto desta fonte seja para todo o sempre. E o seu?

           - Que o seu desejo se realize...
Fonte dos Amores - Continuação IV

Vejamos outras fotos: na frente do prédio da Cruz Vermelha onde não apareço, o brinde na Casa da Cachaça (era esse o nome do lugar) onde provei pela primeira vez a cana de açúcar sem ser em caldo e acompanhada de pastel, Boate Night Clube Carrossel... Boate?

Como poderia me esquecer, foi a segunda vez que a menina ruiva me chamou de idiota aquela noite. A primeira tinha sido por beber apenas para fazer parte da turma e a segunda por ter acompanhado os outros rapazes a boate que ficava em frente ao estabelecimento onde bebíamos, do outro lado da rua! Ela fez questão de nos fotografar sendo expulsos da casa, não lembro (ou não quero lembrar!) bem ao certo o que fizemos!

Caminhamos mais um pouco e já avistamos o Circo, a menina ruiva não parava de “clicar” sua máquina, o Circo com os Arcos da Lapa ao fundo, o topo da Catedral Metropolitana à esquerda, os majestosos prédios da Petrobrás e do BNDS... Tudo era pano de fundo para o Circo.

Contornamos o Circo passando por construções onde se liam nas fachadas “Fábrica de cofres progresso”  e “Fábrica de fogões progresso – fundição de ferro e outros metaes”.

Fundição Progresso... Será que os jovens que vão hoje aos shows no local sabem porque se chama assim?

Chegamos um pouco antes de horário marcado, tínhamos tempo para mais fotos... Quase sempre me davam a máquina para tirar foto de todo o grupo, fosse nos Arcos, em frente ao Circo ou sentados na calçada aguardando a hora de aberturas dos portões...

Faltavam poucos minutos para o portão abrir e a menina ruiva me chamar de idiota... pela terceira vez aquele dia.

Quando estávamos para entrar ela me pediu a capa da máquina para pegar seu convite que tinha guardado ali por segurança. Não sei bem o que disse, mas lembro a resposta: idiota, como pode ter perdido a capa da máquina!

Fiz a única coisa que me restava, entreguei-lhe o meu convite e me afastei do grupo. Sentei na calçada e lembrei que nem voltar pra casa direito sabia!

Ali parado era apenas um desconhecido para quem passava apressado de um lado para o outro, desviavam de mim como fariam se em seu caminho estivesse um obelisco, sem se dar ao trabalho de ler a placa de bronze afixada com toda pompa e honraria que o momento exigia.

Então alguém tocou em meus ombros... Era a menina ruiva com um sorriso amarelo se desculpando pelas vezes que me chamou de idiota e que não iria me deixar sozinho...

Fonte dos Amores - Continuação III

Agora estou lembrando, foi a primeira vez que ia ao tão comentado Circo Voador, eu ganhei um ingresso em uma das promoções loucas que a Rádio Fluminense FM realizava. Se me lembro bem era justamente para participar de um show promovido pela emissora no local. Eu morava na Tijuca e não sabia bem como chegar lá, me disseram para pegar um ônibus que deixava perto. A orientação era deixá-lo seguir pela Riachuelo e descer próximo aos Arcos da Lapa, mas também tinham falado da Praça da Cruz Vermelha como ponto de aproximação do local que deveria ficar. Então, por instinto, quando contornei uma praça e avistei o prédio da Cruz Vermelha ao meu lado esquerdo, desci. Caminhei em círculos por alguns minutos até me dar conta que soltando antes e sem um mapa, estava perdido! Hoje parece tolice, mas naquela época nunca tinha ido para aqueles lados.

Eu olhava para os rostos das pessoas procurando identificar aquele que poderia me dar o caminho do “Circo Voador”. Com um nome deste, se perguntasse para qualquer um podiam me chamar de maluco. Ou então fazer uma piadinha do tipo: já experimentou olhar para o céu?

Avistei um grupo de rapazes e garotas da minha idade em frente a um grande portão de ferro que dá acesso à entrada principal do prédio da Cruz Vermelha, situado entre as ruas Carlos Sampaio e Henrique Valadares, e resolvi perguntá-los se sabiam onde ficava o Circo.

A resposta da garota ruiva não poderia ser melhor: Estamos indo pra lá!

A garota ruiva, foi esse o primeiro momento que a vi! Ela se destacava do grupo não só pelos seus cabelos como pelo estilo de se vestir, colorido e despojado.

O tempo que seu rosto fitou o meu para pronunciar aquelas quatro palavras foram suficientes para eu ficar encantado pelo seu olhar. Não porque seus olhos eram grandes, com pupilas de um negro intenso e brilhante, mas porque irradiavam uma sinceridade avassaladora.

Lembro que seguimos pela Av. Mem de Sá, passando pelo IML onde uma placa pendurada chamava a atenção para ser esta uma casa de ciências e não apenas para onde se levam os corpos sem vida.

Em menos de meia hora o grupo que guiava parou em um pequeno estabelecimento onde não se via nada além do que garrafas e mais garrafas de aguardente. Eu, que não bebia, fui gentilmente convidado a dar uma golada como forma de batismo para pertencer ao grupo, depois um segundo gole pela amizade, um terceiro pelo show que íamos assistir... e já não me sentia tão bem!

Fonte dos Amores - continuação II

             O fim da nossa história estava próximo, nem os latidos insistentes da minha cadela desviavam minha atenção do que se tornara o epicentro da minha vida nos últimos meses. Pouco sabia se clamavam por carinho ou por alimentação.

            Qual o antídoto para o que me envenenara, turvando minha visão e me fazendo percorrer caminhos que me deixavam cada vez mais perdido?

            Busco nossas fotos na parte de cima do armário, quase tão inalcançáveis como os momentos que nelas estão registrados, só que aqui um banco de três pernas solucionou a questão.

Fim de ano em Ilha Grande – 1993, Carnaval em Búzios – 1999, Aniversário de 50 anos da mamãe – 1994, Lua-de-mel em Angra dos Reis – 1989, Festa da empresa – 2000... Todos os álbuns tinham referência e data, ela sempre gostou de organizá-los e dizia que fazendo isso era uma maneira de manter a conexão entre as diversas fases da sua vida.

Festa de noivado – 1986, Formatura – 1990, Fonte dos Amores – 1984, Natal – 2002, Natal 2004.

Espalhando os álbuns pela cama, procuro ordená-los cronologicamente, como se pudesse reconstituir através de imagens obtidas em fração de segundos, no abrir e fechar do diafragma de uma máquina fotográfica, a história de nossas vidas.

Para ela a fotografia não era apenas um momento perdido na história e sim um portal do tempo que nos permite regressar ao passado, trazendo à tona todos os sentimentos vivenciados.

A única coisa que eu precisava era encontrar o ponto exato a voltar, mas alguns álbuns e muitas fotos depois, já não conseguia perceber a diferença do seu sorriso na formatura, na foto de fim de ano e na festa da empresa!

Um álbum desgastado, como se mais manuseado que os demais, me chama a atenção: “Fonte dos Amores – 1984”. Quando estava organizando os álbuns não tinha compreendido porque ela o tinha identificado daquela maneira, agora a curiosidade me impulsionava a explorá-lo.

Foram tiradas na Lapa... Tem uma turma encostada em uma das colunas dos arcos que sustentam o trilho do bonde que liga Santa Tereza ao centro do Rio, e tanto eu quanto ela  estamos na foto, mas porque tão distantes?

Lógico! Não éramos namorados nesta época! Mas, então porque estávamos juntos?

 

 

Fonte dos Amores

Ano passado surgiu um concurso literário onde o autor deveria enviar um conto ambientado no RJ.  Buscando inspiração lembrei da música "Arcos" do Biquini Cavadão.  Quando ouço uma música, extrapolo os verso do autor ao recriar na minha imaginação o ambiente da música, os personagens, suas vidas, etc. E foi isso que fiz com Arcos...  Tinha também ao meu lado a vantagem de no caminho casa x trabalho x casa passar pelos locais onde o meu conto seria ambientado.  Espero que o Bruno perdoe o que fiz com seus versos e receba como uma homenagem de fã !

Vou colocar o conto em capitulos, pois o espaço aqui é reduzido...

"O que restou dos obeliscos, fontes pontes sobre o rio
O que restou dos bustos, dos arbustos
E principalmente, o que restou de tanto amor ?
Só um centro vazio..."

Fonte do Amores (parte I):

Nossos momentos? O que restou de todos os nossos momentos? Não fazia mais distinção entre o início e o fim da frase depois que a recebi, palavra por palavra, em uma noite em que a chuva não amenizava o calor do verão.

Não podia sequer ser considerada uma oração, entretanto a frase que nem sujeito tinha, encontrava dentro da sua estrutura composta por artigos, preposição, verbo, substantivo e pronomes - que pareciam descrever meus sentimentos ao ouvi-la (interrogativo, indefinido e possessivo) -, a energia necessária para permanecer viva na minha mente do amanhecer ao pôr-do-sol do pôr-do-sol ao amanhecer.

Eu, um professor de física, estava diante de um sistema que verdadeiramente conservava sua energia durante todas as mudanças de fase que sucederam àquele dia: perplexidade, tristeza, depressão, angústia e solidão.

continua...

Brasil, pais de samba e do futebol...

Chegou o fim da copa para o Brasil...  Como milhões também torci e gostaria que tivéssemos alcançado o êxito maior.  Já sofremos tanto, não precisávamos de mais esta decepção, pelo menos o futebol tinha que dar certo, afinal somos ou não o país do samba e do carnaval ?  Só falta agora americano aprender a sambar e as escolas se transferirem para lá !

 

Queria que esta nação tão massacrada tivesse outras alegrias para não sofrer tanto...  Isso me fez lembrar de um texto antigo quando o Brasil ainda era tri campeão e buscava o tetra !

 

 

Transposta para agenda em 15/02/1994

 

Gente

 

"Gente é tão louca

Vive correndo de um lado para o outro,

Traçando planos para um futuro

Que não se sabe estar lá.

 

Gente é engraçada

É maltratada e humilhada,

E se sente feliz

Por pertencer ao pais tricampeão.

 

Gente sou eu e você,

Todo aquele que encontra forças

Para sobreviver a este caos.

 

Gente só é gente

Quando esta junta

Mostrando sua força

E se mostrando ao mundo.

 

Não fique sozinho

Junte-se a nós

E faça dessa nação

Um país de gente feliz"

 

O dia que não terminou

Porque tá tudo assim ?

"Quem de nós vai insistir e não,
Se entregar sem resistir, então !"

Disseram que houve resistência...  "ah, ele deveria simplesmente entregar o carro, que estava com certeza no seguro."

Esta foi a frase que ouvi algumas vezes hoje das pessoas que comentavam a morte do guitarrista, Rodrigo Netto, da banda Detonautas.

Vocês já pararam para pensar quantas regras criamos para nos adaptarmos ao estado de violência que nos impuseram ?  Não digo que devemos partir para luta armada e nem creio que este rapaz tenha, intencionalmente, reagido, até porque não estava sozinho no carro.  Só acho um absurdo que, além de ter sido vitima da violência, seja classificado como imprudente.

Ele, como tantos outros, teve sua vida abreviada... sonhos interrompidos bruscamente de um futuro que jamais se fará presente para ele.

E o que hoje indignou a sociedade e ganhou notoriedade, amanhã será substituido por outro acontecimento, e por mais outro e outro, e em doses continuas de violência vamos nos acostumando, até não mais nos causar espanto perceber que assitimos com a mesma imparcialidade o reporter noticiar a filha que mata os pais e não é julgada por conta de artimanhas juridicas e os preparativos da seleção para copa do mundo.

Não vou pedir que tansformem este manifesto em corrente e enviem a todos os seus amigos...  Peço apenas que resistam também a violência, que se manifesta tanto de forma ignobil, quanto na sutiliza do dia a dia entre nossos pares quando esquecemos sentimentos simples como respeito, compaixão, amor e todos estes sentimentos que ninguém gosta de falar.

O dia que não terminou
(Detonautas)

Me sinto tão estranho aqui
Que mal posso me mexer, irmão
No meio dessa confusão
Não consigo encontrar ninguém
Onde foi que você se meteu, então?
To tentando te encontrar
To tentando me entender
  
As coisas são assim... 

Meus olhos grandes de medo revelam a solução
A solução
Meu coração tem segredos que movem a solidão
A solidão

Me sinto tão estranho aqui
Diferente de você irmão
A sua forma de extorsão
Não pareço com ninguém, sei lá
Pois eu sei que nós temos o mesmo destino, então

To tentando me encontrar
To tentando me entender
Porque tá tudo assim?


Meus olhos grandes de medo revelam a solução
A solução
Meu coração tem segredos que movem a solidão
A solidão

Quem de nós vai insistir e não,
Se entregar sem resistir, então

Já não há mais pra onde ir
Se entregar á solidão, irmão


Meus olhos grandes de medo revelam a solução
A solução
Meu coração tem segredos que movem a solidão
A solidão

O "poema" abaixo foi públicado na edição numero 11 do Folha Urbana, na seção mitologia e intuição. 

" escolha do poema desta edição, além de homenagear dois queridos amigos, se deu também comoforma de reviver um momento bacana, onde pequenos detalhes fizeram uma noite aparentemente comum, fixar-se como aquelas boas lembranças nas quais recorremos quando queremos um afago n'alma.
"Antes da Noite" está impregnado de um céu estrelado do inverno carioca,"" de notas de boa música, com sabor de vinho tinto e com fragrância de cânfora... E de uma alegria e satisfação simples de estar entre amigos! - Mônica Gomes

Antes da Noite
(Anjinho e Aline Doria, em 22/07/00)


Na linha da espera; vontade de te ter
Busco o conforto do coração Te esperando todos os dias.
Como a lua espera o sol
Mas este insensível como você
Não percebeu que com a sua luz
A lua não pode se fazer presente cm sua vida
Assim como eu da sua
Então a história muda de rumo
E quando eles conseguem estar juntos
Em um esforço descomunal da lua
Que alinha sua órbita à do sol
Como eu, que por muitas vezes,
Emparelhei minha vida a sua
Todos olham com assombro
Aquela união tão improvável
Como a nossa agora mostra ser.
Você me pede pra ficar,
Quando falo que vou embora.
E quando falo que vou ficar
Você me pede pra ir embora
Daqui a horas eu retorno...
Na noite do próximo eclipse.

Um dia especial...

Todos que me conhecem sabem o quanto gosto da Legião Urbana e quanto admiro Renato Russo, não só o compositor e vocalista da banda de maior sucesso do Brasil (e se não fosse tupiniquim, do mundo !), mas do homem coerente, que acreditou em seus sonhos e foi a luta !

Amanhã, dia 27, 46 anos se passaram da data que Renato Manfredini Junior naceu.  Deixo a minha homenagem para um pessoa que deu um parcela significativa neste caldeirão de informações que da forma ao que somos e ao que pensamos.

"Se soubesse declamar poemas
Seria para você.
Se soubesse escreve-los
Seria sobre você.

Se soubesse compor músicas
Seria inspirado em você.
Se soubesse canta-las
Queria que fosse como você

Se soubesse escrever um livro
Teria histórias bonitas p´ra contar
Sobre eu e você"

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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, VILA DA PENHA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Música, Animais
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